terça-feira, outubro 16, 2012

Não quero ficar sem a Sagres!


Querido Blog,

"Prenderam a Libertad"!
Esta exclamação pode bem ter sido uma das manchetes de um qualquer jornal argentino, um dia depois da apreensão da fragata "Libertad" , no Gana. Esta fragata é propriedade de um Estado, que em 2001 decidiu não pagar as suas dívidas, e hoje enfrenta múltiplas acções judiciais, que determinam a apreensão e congelamento de bens, tal como qualquer banco faria à nossa casa, se anunciarmos que não pagamos mais a prestação.
Como não é possível confiscar um país inteiro, os tribunais vão atrás de todos os bens e activos que estejam ao seu alcance, para fazer cumprir a lei.

A Argentina, naquele período, tinha uma economia mais virada para as exportações, sobretudo agrícolas, e beneficiou de um aumento para mais do triplo do preço da soja, naquele período. Não evitou o pior, mas sempre ajudou um pouco a dar a volta.
11 Anos depois da hecatombe, a Argentina está ainda a recuperar dos efeitos da sua decisão, um crescimento frágil e contestado por especialistas, nomeadamente os números oficiais do governo argentino para a inflação, que não batem certo com o que se verifica no país. Ou seja, hoje ainda não conseguimos determinar com segurança se é sequer possível a um país sobreviver económica e socialmente a um default, ou se fica antes condenado a uma existência moribunda durante décadas.

Hoje, Portugal encontra-se numa encruzilhada semelhante, com a sua soberania condicionada, e enfrentando o mesmo dilema: Austeridade ou Incumprimento?

No meio deste dilema, está a minha geração, a primeira que nasceu numa democracia plena, aquela que é considerada a melhor preparada de sempre. Mas a pergunta inquietante é: preparada para quê?
Até agora, a única certeza absoluta que a minha geração tem, é que vai pagar bem caro as loucuras faraónicas de alguns, uma "conta calada" que ainda nem se conseguiu saber exactamente quanto é.
Como não quero ficar sem a Sagres, nem tudo o resto de valor que os credores consigam deitar a mão, naturalmente prefiro sofrer e pagar agora, do que ir sofrendo e pagar muito mais, durante muito mais tempo.
Compreendo que muitos dos meus compatriotas não partilhem desta escolha, e se manifestem em defesa da outra alternativa, porque afinal não queriam as estradas nem as escolas de luxo, querem menos despesa (menos Estado), mas querem que o Estado continue a tomar conta deles (mais Estado).
Compreendo, mas não concordo e não aceito!
Eu não quero que aconteça ao meu país o que aconteceu à Argentina, não quero não poder levantar o meu dinheiro, porque os bancos congelaram as minhas contas, não quero sair do Euro e perder o acesso ao Mercado Único, não quero passar dos actuais 15% para os 40% de desemprego, com o colapso total do mercado interno.
Agora que já disse o que eu não quero, vou dizer o que não vou fazer:

Não vou desistir de lutar pelo meu país!
Não vou distrair-me com os Velhos do Restelo nem com os reféns dos poderes instalados!
Não vou deixar-me levar por aqueles, que por desespero ou fanatismo ideológico, conspiram e participam activamente numa tentativa de sabotar o país,conduzindo-o à bancarrota!

Porque este país é de todos, portanto também é meu e teu. 

E eu não quero ficar sem a  Sagres!










segunda-feira, julho 23, 2012

Os Livros da minha vida (Parte 1)




Querido Blog.


Os livros fazem parte da minha vida.
Nasci no seio de uma família a eles dedicada, desde 1957, editando livros científicos em português, recusando o facilitismo das traduções de gurus internacionais, e apostando em autores portugueses.
Nasci numa família dedicada ao conhecimento, cresci a fazer perguntas, umas em tom curioso, outras em forma de desafio.
O amor aos livros, a dedicação ao conhecimento, foram das melhores mensagens que os meus pais me transmitiram, desde pequeno. 

Querido blog, esta rubrica é dedicada aos meus pais.



Os livros e bandas desenhadas foram a melhor forma de "calar" as perguntas incessantes do puto refilão, curioso, sobre tudo o que via. Cedo os meus pais me explicaram que aqueles objectos misteriosos continham as respostas para os maiores mistérios, os mapas para os os mundos mais fantásticos, e as chaves para o imaginário do nosso "eu" profundo, onde somos só nós, puros, livres de pensar e respirar pensamentos...
Li muitos livros e bandas desenhadas, mas há 4 colecções que ainda guardo religiosamente.


A colecção história júnior foi para mim uma forma linda de conhecer um pouco da história do mundo. Quando vi o primeiro ainda mal sabia ler, e a vontade de perceber o que diziam nos balões brancos aquelas pessoas que estavam dentro do livro foi para mim uma grande motivação, e com a ajuda da minha tia Ester rapidamente dominei a língua de Camões, e depois a matemática.
As aventuras lusitanas, as grandes invenções e os grandes líderes dominaram o meu imaginário. Ainda hoje o fazem...



Os meus livros do Asterix e C&A,Tintins e Lucky Lukes foram os meus tesouros preciosos durante muito tempo. Lia-os a correr, memorizava tudo e guardava para não se estragarem. Os meus pais contam-me que me ria sozinho na sala a ler estes "livrinhos". Ao menos estava quieto uns 10 minutos. 

Mas quem nunca se emocionou a ler, não sabe o que é "entrar" num livro. Um livro não se lê verdadeiramente, respira-se, vive-se. 


Quando respiras um livro ele passa a fazer parte de ti.




Sociologia dos bonecos (parte 2) - legos e soldadinhos!



Querido blog,

Adoro os meus pais, mas há 2 ou 3 coisas que nunca lhes consegui perdoar verdadeiramente. Os legos foram na minha infância a melhor prenda que me podiam dar, sobretudo se fossem soldados ,canhões e afins. Lembro-me de derreter o juízo aos meus pais, recorrendo a exigências, birras e chantagens de toda a forma para tentar ter o barco pirata. 
Hoje, no rescaldo do Tall Ships Lisboa, lembrei-me que nunca me dera o raio do barco que eu queria tanto.

Para compensar, fazia grandes combates entre os meus soldadinhos de plástico e os legos, sendo que estes últimos, talvez por terem um aspecto mais simpático, e armas mais ranhosas, acabavam por vencer contra todas as probabilidades. 
Parece que desde criança tinha esta coisa na cabeça que os "mais fracos" também deviam vencer. Olhando para dentro hoje, acho que ainda não resolvi bem essa coisa, mas gosto mais de mim assim.
Acabei por largar os legos, à medida que colecionava os soldadinhos, com os canhões, tanques de guerra, os verdadeiros heróis das batalhas na praia com os outros miúdos. Claro que estes não deitei fora, vão ficar à espera que um dia outras mãozinhas cheias de imaginação queiram dar-lhes vida de novo!

Uma coisa que sempre me fez um bocado de impressão, foram a falta de brinquedos deste género inseridos nas temáticas da história de Portugal.Já viram o que era ter um D. Afonso Henriques a cavalo,à cabeça das hostes portuguesas, a bater nos mouros como se não houvesse amanhã?

Isso é que era!



terça-feira, junho 19, 2012

Pedro, por aqui luta-se! E por aí?


Querido Blog,

Hoje recebi uma mensagem via facebook do Pedro, que dizia assim:

"Viva joão, não me lembro de nos termos conhecido, mas como estou a contribuir para o teu salário gostava de te perguntar qual é a tua especialidade, e se achas que tens a experiência para estar no cargo onde estás, a ganhar aquilo que ganhas.. pergunto, porque pelo teu CV acabaste o curso há dois anos...
felicidades para tod@s e que a nunca nos sobre nem falte comidinha
"

Ora meu querido blog, sabes bem que eu não gosto nada de alimentar os frenesins inquisitoriais que infelizmente pululam na nossa sociedade, um vício antigo e enraizado que a crise tem elevado a um novo expoente.

Talvez a audácia de me abordar directamente, ou talvez porque vi nesta mensagem o medo que leio nos olhos de muitos, que temem pelo futuro, e duvidam da nossa capacidade enquanto país de sair da crise em que vivemos. Sinceramente não sei explicar tudo o que senti ao ler a mensagem, mas decidi responder, e partilho agora essa resposta.

"Olá Pedro. De facto não me lembro de te conhecer, mas admiro a frontalidade das tuas questões, e apesar de não ter de dar satisfações, faço-o da forma mais transparente. 
Para a questão de ter ou não curriculum suficiente, remeto-te para o meu linkedin para que possas julgar por ti próprio. 
Quanto à experiência de facto "só" trabalho desde os 18 anos, "só" investigo e participo em formações nas áreas da segurança e defesa desde 2001 e só tenho 10 anos de actividade política. Se isso chega? Pelos vistos quem de direito entendeu que sim, e "foi buscar-me" à empresa onde trabalhava.
Quanto ao salário, 3186 euros brutos é o mesmo que 99,9% de todos os outros assessores/adjuntos (publicado no site do governo, uma medida inédita e acertada), e incide sobre mim a mesma carga fiscal e suspensão do pagamento dos subsídios de ferias e natal que incide sobre todos os restantes funcionários públicos, e ainda bem que é assim porque é o justo.

http://pt.linkedin.com/in/joaoannes

Não sei se ficarás satisfeito ou não com a minha resposta, mas prefiro dar-te factos do que opinião, para que decidas por ti próprio. Aproveito para te deixar uma reflexão, que é a razão que me motivou a aceitar o convite. 
Em 2011 vi o meu país à beira da ruína, a minha família e amigos receosos do futuro, e quando li o memorando da troika negociado pelo PS, percebi que o caminho das pedras ainda estava por percorrer. 
Quando aceitei este convite, alguém me disse : " vais dar o couro e cabelo , o governo pode ou não ter sucesso, o país pode ou não salvar-se da ruína, mas tenhas sucesso ou não ninguém te vai agradecer a ti ou a qualquer governante pela missão que cumpriram". 
Pedro, a razão porque estou aqui é porque não viro a cara á luta e ao meu país, quando me é dada uma oportunidade para lutar pela melhor das causas, que é Portugal. 
Porque ajudar a salvar o país também é ajudar a salvar as nossas famílias e o futuro dos nossos filhos.

Pedro, por aqui luta-se! E por aí? Abraço!"








"when the shit hits the fansome guys run and some guys stay"

sexta-feira, maio 25, 2012

Pensar como um Pai



Querido Blog,

Esta segunda feira de manhã, vinha eu no caminho habitual para o trabalho, quando, ao fazer uma curva sem visibilidade, deparo-me com umas 30 crianças de um colégio guiadas pelas auxiliares, a atravessar a rua fora da passadeira, que estava a uns 20 metros de distância.
Ora quem me conhece sabe que eu, como qualquer bom português, tenho "pé pesado", mas aconteceu que vinha devagar, e ao fazer a curva (com visibilidade zero) tive todo o tempo para travar suavemente e esperar que as crianças fizessem a travessia.
Quem me conhece também sabe que não me contive e saí do carro para abordar a senhora responsável e disse-lhe: 

João Annes -" Bom dia! Só para lhe dizer que ainda bem que não sou pai de nenhuma destas crianças, nem sei qual é o seu colégio, senão sabia bem onde ia agora antes de chegar ao trabalho"
Auxiliar -" Mas que se passa?"
João Annes - " que se passa? então é assim que ensina as crianças a passar na passadeira, é assim que garante a sua segurança? Já viu que eu não vejo nada para este lado quando faço a curva? e se eu venho mais rápido?
Auxiliar - " Ah pois, mas onde é que está a passadeira?"
João Annes - "Mesmo ali" - e aponto para o local, aos tais 20 metros de onde estávamos a falar...
Auxiliar - Ah pois tem razão, mas estava longe....

Nisto, voltei a entrar no carro e fui-me embora.

Quis a vida que eu até hoje não seja casado nem tenha filhos, mas um dia isso acontecerá.
E vou ter de continuar a trabalhar e a minha mulher também.
E vou ter de confiar os meus filhos a desconhecidos em jardins de infância, escolas primarias e afins.
E não vou nunca ter a certeza que eles estarão em segurança, que serão bem tratados.
E vou andar preocupado e atento a quaisquer sinais, e vou ser tão exigente quanto o dinheiro me permitir com as escolas onde coloco os meus filhos.
Ainda assim, estes pensamentos não ajudaram a acalmar o momento de angústia que senti por aqueles filhos dos outros.
Ainda não tenho filhos, mas naquele momento tudo o senti e pensei, foi como pai....



segunda-feira, maio 14, 2012

Sociologia dos bonecos (Parte 1)



HE-MAN



Querido Blog,
Crescer é aquela coisa que nos dizem desde pequeninos que temos fazer.
Crescer, a palavra que no dicionário parental significa "porta-te bem e faz o que te mandam, porque sim".
Crescer, aquilo que sentimos necessidade de fazer quando a vida nos diz que não estamos preparados para algo que desejamos realizar.
Em suma, nós crescemos sempre que decidimos abdicar de algo relevante a favor de algo que tem valor superior.Ontem, já com 28 anos, enquanto fazia arrumações, encontrei muitos dos brinquedos e jogos com que me divertia na minha infância, e não resisto a iniciar aqui uma "viagem ao passado", porque se os nossos brinquedos fazem parte de nós, então nós somos, em parte, os nossos brinquedos.


Grizzlor
Desde pequeno que os brinquedos me ensinaram que havia os bons e os maus. Lembro-me que adorava correr pela casa atrás da minha tia Elisa, de Grizzlor em punho, a gritar como se não houvesse amanhã,  "Não me voltas a dar sopa!"
Das memórias que ainda trago desses tempos, reparo que habitualmente, quando brincava com outras pessoas, escolhia ser dos maus, com bonecos assustadores e grandes planos imaginários de conquista.
Sempre tive um fascínio, pelo "darkside", pois são as personagens mais ricas e complexas dos livros e cinema, cheios de contradições e, talvez por isso, despertem em nós uma identificação emocional mais primária.
Só havia um tipo de herói que me interessava, o justiceiro anti-herói, aquele que não combate para conquistar o poder, mas sim para defender outros, acabando por superar os seus inimigos, sem por em causa os seus valores morais.
O HE-MAN era a personificação do meu estilo de herói infantil: um tipo com super poderes, defensor do povo de Eternia, o único capaz de derrotar o temível Skeleton, contando com a preciosa ajuda de uma espada invencível que não podia utilizar para matar!
Claro que eu usava sempre o machado, para poder dar "cabo dos maus" sem problemas de consciência.
Nunca fui muito de brincar com carrinhos, e legos só para fazer robôs do espaço em batalhas épicas debaixo da mesa de jantar, ou viver com os bonecos dos piratas lego.Pelo contrário, o amor pelo fantástico e o gosto por jogos de guerra fazem parte de mim desde tenra idade....
Brincar faz muita falta ás crianças, e eu ainda fui da geração dos brinquedos "físicos", antes dos jogos de vídeo, de jogar á bola na rua em vez de ficar a ver televisão.
Tudo farei para que os meus filhos possam um dia crescer a jogar á bola, andar de bicicleta, brincar com monstros, carros, bonecas, remetendo os divertimentos sedentários para segundo plano.







quinta-feira, abril 19, 2012

A marca da minha geração


Querido Blog,

Sou daqueles que acredita sem qualquer reserva na minha geração. Sou daqueles que se inspirou nos grandes feitos da década de 90, que festejou a queda do muro de Berlim e foi testemunha activa da grande corrida da globalização, a galope da Internet.
Para mim, a década de 90 foi a última das grandes causas, dos grandes avanços tecnológicos e da "modernização" social do Ocidente. Foi sobretudo a última porque deixámos de falar em décadas depois disso. Deixou de fazer sentido essa métrica, tanto que vamos em 2012 e poucos falam ou escrevem sobre o primeiro decénio.
Esta poderia ser uma constatação inútil, mas não é. A verdade é que podemos identificar traços únicos que marcam os decénios do século XX, como o Liberalismo dos anos 20, as causas sociais dos anos 60, ou o início da idade da informação dos anos 80.
Quando olho para o primeiro decénio deste século, do ponto de vista de Portugal e da minha geração, não faço um balanço positivo, ou pior, não vejo grande coisa a relatar sobre os nossos feitos, nem algo de relevante com que tenhamos contribuído para o futuro do nosso país.
Na verdade, o que a minha geração andou a fazer nestes 10 anos foi lutar para sobreviver a uma série constante de contratempos e crises geradas internamente, ou provocadas por acontecimentos exógenos.
Pronto.
Isto tem corrido mal. A coisa está preta e não há "plano Marshall" ou "cheque inglês" que nos valha.
Dada a conjuntura, a minha geração sabe que não vai ter a estabilidade e oportunidades que os nossos pais tiveram. Mas nem por isso baixamos os braços.
Seja em Portugal ou no estrangeiro, a minha geração está a fazer o que sabe melhor, trabalhar e dar tudo de si para vencer no meio de tantas dificuldades. Não baixamos os braços, e cada pequeno passo que damos em frente fortalece a nossa determinação.
Estamos também a aprender muito. Estamos atentos a muitas causas artificiais, problemas estruturais, e outras pedras que se colocam no nosso caminho. E quando um dia tomarmos o leme nas mãos, saberemos o que é preciso fazer.
Sei que vamos sair disto.
Tenho a certeza porque temos uma fonte de energia inesgotável, que é a vontade de endireitar a nossa pátria, para que os nossos filhos e os filhos deles vivam a vida que nós já não vamos viver.
Quando escreverem um dia sobre a minha geração, vou ficar contente se ler que nos sacrificámos para salvar o futuro. É por isto que luto.







terça-feira, abril 10, 2012

O Benfica e o Futuro

Adoro futebol.
Vibro com as jogadas individuais, os golos, a força de um colectivo a dar a volta a um jogo, festejo as vitórias e fico aborrecido quando o meu clube perde.
Hoje, o meu clube, o Sport Lisboa e Benfica, perdeu um jogo. Hoje o meu clube praticamente perdeu a luta pelo campeonato. Hoje, o FC Porto arrisca-se a vencer um campeonato com o treinador menos capaz dos últimos 25 anos.
Um dos motivos de orgulho em ser Benfiquista é a forma como abordamos positivamente o futebol, queremos que a nossa equipa ganhe, que jogue bem, que conquiste títulos e sobretudo não nos preocupamos muito com os outros.
Como bom benfiquista que sou, não vou perder tempo a comentar as arbitragens que prejudicam o Benfica, nem as suas causas, vou ser bem comportado e exigente, e dizer o que acho que temos de fazer para a próxima época.

1- Está na hora de trazer um novo treinador para a Luz. O Jorge Jesus é um excelente treinador que elevou o Benfica a outro patamar, mas que em jogos decisivos nas últimas épocas "inventa", e sai normalmente a perder.  A sua teimosia em casos como o de Emerson e a dificuldade em encaixar as derrotas, demonstram uma falta de humildade cega que retira ao nosso treinador o discernimento e o pragmatismo necessário para gerir o plantel. Já agora, era bom ter um treinador que não receba comissões dos jogadores que vêm para o clube.  

2- Está na hora de ficarmos com os jogadores que querem jogar no Benfica. Além do Luisão (será que este ano é diferente, depois da renovação até 2016?), sabe-se que há mais 1 ou 2 jogadores que pretendem sair do clube. Saber fazer retenção para obter maior rentabilidade num negócio é importante, até ao momento que cria desmotivação no jogador e prejudica o seu rendimento.
Só faz falta quem quiser estar!

3- Está na hora de deixarmos de ser as virgens ofendidas. Como adepto, adoro futebol, mas não sou ingénuo. O Benfica perde há muito tempo nos bastidores aquilo que conquista no campo, e há muito caminho a fazer para proteger os interesses do Benfica. Mais do que assumir a verdade e transparência desportiva no discurso, é essencial propor acções concretas e agregar outros clubes das 2 ligas a este projecto. No futebol, como na política, a melhor defesa é o ataque, vamos atacar o problema!

4- Está na hora de perceber se o Benfica assume ou não a ruptura com a Olivedesportos. O discurso vigente diz que vai acontecer. A experiência do passado mostra que não é bem assim. não percebo como é que estas declarações do Presidente da Liga não foram manchete nos jornais todos, de tal forma que até a resposta a esta notícia pouco importante teve mais relevo.
De facto, não consigo perceber qual é a relação entre Joaquim e António Oliveira, a Olivedesportos, e o FC Porto....
Ironias á parte, fico muito inquieto sempre que vejo que estes senhores também têm uma participação qualificada na Benfica SAD.
Como benfiquista pergunto: Afinal de que lado é que está o Benfica?
Como adepto, tenho que dar alguma razão ao Luís Cirilo, que esta situação é muito sombria!


terça-feira, abril 03, 2012

Facebook Versus Oscar Wilde



Eu fui daqueles que resistiu durante algum tempo a aderir ao facebook. Em parte por alguma costela conservadora que conservo para nao ser demasiado impulsivo, mas tambem porque duvidava da utilidade de expormos a nossa vida a toda a gente, e sobretudo porque não queria ficar agarrado a mais um instrumento da sociedade virtual.

Pouco tempo depois de aderir já estava maravilhado e viciado no FB. Foi como se a velha lista de emails cinzentos de repente ganhasse vida, caras, sorrisos e energia! trocar ideias, saber noticias, comentar as fotos dos amigos e no geral senti-me mais próximo do meu mundo!
Em breve comecei a fotografar coisas porque achava giro por no facebook, difundir noticias que me interessavam, fazer politica participando em inumeros grupos, até lancei a empresa da minha família nessa rede social, para ajudar a divulgar novos produtos.

Reflectindo um pouco, acho que o que mais me ligou ao FB foi a sensação de fluidez, parece que a vida "anda mais rápido", como uma injecção contínua de adrenalina, sentida a cada actualização de estado.
Mas a vida encontra sempre formas de nos despertar para realidades que por vezes queremos ignorar.

Quando me deparei com esta notícia Joshua Bell - Washington Post, tive uma epifania.
Compreendi que existem uma série de "coisas" na nossa vida, onde se inclui o FB, que nos transformam de produtores de informação ( porque vivemos experiências e as partilhamos com outros), em reprodutores e difusores de informação. Não gostava de me tornar numa daquelas pessoas que passou pelo Joshua Bell, que tocava de forma sublime e gratuita no metropolitano, e não saber parar e apreciar aquele momento fantástico.

Assim que realizei tudo isto, decidi que algumas coisas na minha vida tinham de mudar, que tinha de me libertar de algumas rotinas e instrumentos que acabam por condicionar o pensamento livre e a criatividade.
Não precisava de o fazer, mas fi-lo porque não quero perder a capacidade de pensar "fora da caixa" e prefiro viver directamente a minha realidade, em vez de a encarar através de filtros.

Este não é um post contra o facebook, nem contra a sociedade digital, é uma afirmação de identidade individual e o reconhecimento da importância central que ela deve ter nas nossas vidas. Já Oscar Wilde dizia “Most people are other people. Their thoughts are someone else's opinions, their lives a mimicry, their passions a quotation.”.


Não partilho do pessimismo de Oscar Wilde em relação ás pessoas em geral ( nem do seu amor pelo paradoxal), mas reconheço que a visão crítica da sociedade do seu tempo se tornou intemporal.
Por isso, pela minha parte, vou buscar o meu chapéu de chuva e dar um passeio ao fim do dia.

sexta-feira, fevereiro 24, 2012

Sobre a adopção de crianças por casais homossexuais


Ainda me lembro do debate sobre o casamento entre casais do mesmo sexo. A instrumentalização política que ocorreu impediu que a sociedade, em referendo, se manifestasse sobre uma questão que a divide profundamente.
Eu não fui contra o "casamento gay", mas sempre tive receio que após a aprovação na AR, viesse a questão que surge hoje, a adopção por casais homossexuais.
Não me importo que me chamem conservador nesta matéria, assumo que não acho natural a união entre duas pessoas do mesmo sexo, mas aceito que outras pessoas o desejem e o pratiquem, e como tal não me opus á alteração legislativa que foi proposta.
Não me opus mas não acho natural, nem acho que a sociedade está preparada para a aceitar como natural.
A principal razão para eu não ser contra o "casamento gay", é também a principal razão para não ser a favor da adopção por casais homossexuais.
Que 2 pessoas do mesmo sexo, maiores de idade, decidam optar por casar, é uma coisa. Que essas mesmas pessoas decidam adoptar e educar uma criança menor, já não concordo.
Fui ler aqui http://www.educacao.te.pt/pais_educadores/index.jsp?p=86&id_art=54 informações sobre a lei da adopção.
Olhando para a burocracia que a lei impõe, estou solidário com as dezenas de relatos que encontrei na Web acerca das dificuldades e limites impostos pelos critérios para a adopção, que eternizam os processos, e acredito que há muito trabalho a fazer no sentido de agilizar a componente processual da adopção.
Sou a favor que se discuta a legislação da adopção, mas só seria aceitável discuti-la também no âmbito da adopção por casais homossexuais se a questão fosse referendada, para que a sociedade decida de sua justiça o que pretende que o legislador faça nesta questão.
Fico satisfeito que o parlamento tenha chumbado as propostas hoje na AR, e acredito que agora haverá condições para se fazer um debate informado sobre todas as problemáticas relacionadas com a legislação da adopção.

quarta-feira, fevereiro 22, 2012

6 anos depois...

Querido blog,

Passaram 6 anos sem te escrever uma mensagem, sem te visitar para saber como estavas, sem saber nada de ti...

Passaram 6 anos em que me esqueci do prazer de assinalar momentos belos da vida, comentar a actualidade, partilhar contigo e com os outros os meus pensamentos, carimbar um pouco de mim num post...

Passaram 6 anos em que, reconheço com alguma vergonha, me esqueci de ti, e portanto esqueci uma parte importante de mim, aquela parte insatisfeita, que acredita que há sempre algo mais a fazer, que sempre viveu rodeada de livros e autores, sempre apaixonada pelas letras que compõem as palavras da nossa vida...

Passados 6 anos pergunto-me porque te abandonei.
Sei que fui em busca de outras emoções, outros prazeres da vida, lutei, venci e perdi algumas vezes.
Quero que saibas que nestes 6 anos terminei a licenciatura, tirei a carta de condução, tive 4 empregos diferentes, andei aos tiros e no meio do lodo com fuzileiros, ganhei e perdi eleições, arrendei uma casa, perdi familiares e alguns amigos que me fazem falta, apaixonei-me por uma mulher fantástica!
Só tenho pena de neste tempo todo não ter escrito uma linha que fosse sobre tudo isto, que foi a minha vida sem ti.

Não sei bem explicar porque te voltei a bater a porta, que abriste como fazem sempre os verdadeiros amigos, aqueles que nos perdoam e a quem perdoamos o imperdoável. Sei que viste partir um rapaz, e vês regressar um homem com cara de rapaz, que só te sabe dizer que sentiu a tua falta todo este tempo.
Há decerto mais boas razões que não te sei explicar, para o meu regresso, mas tenho a certeza que vamos descobri-las juntos!

Estou de volta porque fazes parte de mim.